Por que o seu concorrente consegue vender mais barato?
- Flavio Toi

- há 11 minutos
- 3 min de leitura

Quando um concorrente começa a praticar preços menores, a primeira reação costuma ser procurar a explicação no fornecedor.
Talvez ele tenha negociado melhor.
Talvez compre em maior volume.
Talvez aceite uma margem menor.
Essas hipóteses podem ser verdadeiras. Mas existe outra possibilidade que costuma passar despercebida: a diferença não está no produto. Está na estrutura da operação.
No comércio exterior, empresas que importam mercadorias semelhantes podem apresentar custos completamente diferentes mesmo negociando com fornecedores próximos, utilizando os mesmos modais de transporte e atendendo o mesmo mercado.
A competitividade começa muito antes da venda. Ela começa nas decisões que organizam toda a operação.
O preço é consequência da estrutura
Imagine duas distribuidoras que importam exatamente o mesmo equipamento de um fabricante internacional.
O fornecedor é o mesmo.
O produto é o mesmo.
O volume comprado é semelhante.
Ainda assim, uma delas consegue vender por um valor menor e preservar sua margem de lucro.
Como isso acontece?
Porque o custo final de uma importação não depende apenas do preço de compra.
A escolha do estado onde a operação será estruturada, o modelo de importação adotado, o aproveitamento de incentivos fiscais, o planejamento tributário, a logística e até o momento em que determinados tributos são recolhidos influenciam diretamente o resultado financeiro.
Estruturas diferentes produzem resultados diferentes
Uma empresa pode manter toda a operação concentrada no estado onde está localizada, repetindo um modelo que utiliza há muitos anos.
Outra pode analisar a possibilidade de estruturar parte da operação em estados como Espírito Santo ou Santa Catarina, que contam com programas e tratamentos tributários específicos voltados ao comércio exterior, desde que a operação atenda aos requisitos legais.
Não existe um estado melhor para todas as empresas.
Existe o estado mais adequado para cada operação.
A mesma lógica vale para os incentivos fiscais.
Programas como INVEST-ES, COMPETE, FUNDAP e os Tratamentos Tributários Diferenciados de Santa Catarina não são soluções universais. Eles precisam ser avaliados em conjunto com o perfil da empresa, os produtos comercializados, o destino das vendas e a estratégia logística.
Quando essa análise não acontece, muitas empresas continuam pagando exatamente o que sempre pagaram, simplesmente porque nunca revisaram a forma como importam.
Competitividade também depende do fluxo de caixa
Outro aspecto frequentemente ignorado é o impacto financeiro da operação.
Em alguns modelos, o momento do recolhimento de determinados tributos pode preservar recursos importantes para capital de giro, formação de estoque ou expansão do negócio.
Essa diferença dificilmente aparece na etiqueta do produto, mas influencia a capacidade da empresa de investir, crescer e competir.
O frete é apenas uma parte da conta
Também é comum concentrar toda a negociação no valor do transporte.
O frete é importante, mas ele representa apenas uma das variáveis da operação.
Tempo de armazenagem, eficiência do desembaraço aduaneiro, localização do porto, disponibilidade de incentivos fiscais, custos financeiros e planejamento tributário podem representar impactos muito maiores do que uma pequena diferença no valor do transporte.
Empresas competitivas analisam o custo total da operação, e não apenas um de seus componentes.
A diferença raramente está em uma única decisão
Quando um concorrente vende mais barato de forma consistente, dificilmente existe uma única explicação.
Na maioria das vezes, o resultado é consequência de diversas decisões tomadas de forma integrada.
A operação foi estruturada pensando na tributação.
A logística foi planejada em conjunto com a estratégia comercial.
Os incentivos fiscais foram avaliados tecnicamente.
O modelo de importação foi escolhido antes da negociação internacional.
Cada decisão, isoladamente, pode parecer pequena. Juntas, elas constroem uma operação mais eficiente e uma vantagem competitiva difícil de ser percebida por quem observa apenas o preço final.
Antes de reduzir preços, vale revisar a estrutura da operação
Muitas empresas tentam recuperar competitividade negociando descontos com fornecedores ou reduzindo suas margens.
Em diversos casos, a maior oportunidade de economia não está na negociação comercial, mas na forma como a importação foi estruturada.
É justamente essa análise que permite identificar oportunidades tributárias, logísticas e operacionais capazes de reduzir custos dentro da legislação e fortalecer a competitividade da empresa.
Se o seu concorrente consegue vender mais barato de forma consistente, talvez a pergunta mais importante não seja quanto ele paga pelo produto.
A pergunta é: como ele estruturou a operação para chegar a esse resultado?
A equipe do Grupo Mercocamp e da Cotrin Loro Advocacia atua de forma integrada para avaliar operações de comércio exterior, identificar oportunidades de otimização tributária e desenvolver estratégias que aumentem a eficiência e a competitividade das empresas.
Porque, no comércio exterior, vantagem competitiva não costuma ser obra do acaso. Ela é resultado de planejamento.




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